Agradecimento da Família Facchini

É com muita gratidão que recebemos o apoio e o carinho de todos com o nosso tão amado Padre Luiz Facchini. Apesar de toda a dor da perda, nossos corações se fortaleceram com o reconhecimento de sua trajetória, sempre dedicada aos excluídos.

Ontem (6/3/2018) nos despedimos do homem, com a certeza que seu legado permanecerá inspirando a todos. Viver com ele era dividi-lo com a comunidade, e ter o exemplo dentro de casa de partilhar e se doar de corpo e alma para as causas que acreditamos. Foi aprender desde muito cedo o significado de solidariedade, a ter um olhar mais humano para a sociedade e o coração cheio de fé.

Por isso, obrigado a cada um que tirou um momento do seu dia para participar das missas, se despedir ou por fazer uma oração. A missão do nosso profeta foi cumprida, o que nos resta agora é nunca deixar que seu exemplo morra.

Vida e obras

Padre Luiz Facchini nasceu no município de Taió (Mirim Doce), em uma família simples de agricultores. Com seus 12 irmãos trabalhou muito na roça e aprendeu a amar a terra e valorizar o árduo trabalho dos agricultores no cultivo da terra. Ainda criança, participava das rezas e das missas na comunidade, e sua vocação o levou para o seminário ainda muito jovem.

Concluiu seu colegial nos municípios de Salete e Brusque, em Santa Catarina, e Irati, no Paraná. Formou-se em teologia na capital paranaense, onde dividia os estudos com o trabalho. Cursou ainda teologia em Fribourg, na Suíça, e neste período trabalhou como ajudante de pedreiro.

Em outubro de 1969, aos 27 anos, Luiz Facchini foi ordenado sacerdote pelo bispo Dom Nestor Adams, na Comunidade Católica de Herbiriggen, na Suíça, celebrando sua primeira missa no mesmo ano. Retornou ao Brasil em 1970, onde foi vigário na Paróquia Nossa Senhora das Graças, de São Francisco do Sul. Foi convocado pelo bispo Dom Gregório Warmeling no ano seguinte para trabalhar na Catedral de Joinville, junto com o Padre Bertino. Em 1972, assumiu a Coordenação Diocesana de Pastoral, cargo que exerceu até 1975 e o permitiu acompanhar todas as mudanças da Igreja, especialmente o Concílio Vaticano II.

Escolhendo Joinville como residência, passou a morar no bairro Floresta, onde criou, juntamente com seu irmão, padre João Fachini, e com apoio do bispo de Joinville, Dom Gregório, a comunidade Cristo Ressuscitado. Lá, esteve 24 anos à frente da Paróquia Cristo Ressuscitado, e em seguida criou a Paróquia Nossa Senhora de Belém, no bairro Escolinha.

Tendo sempre um olhar para a Teologia da Libertação e assumindo a opção preferencial pelos pobres, padre Luiz enfrentou diversas perseguições nos anos 70 e 80, durante a ditadura. Entretanto, seu apoio do decisivo na organização da Pastoral Operária, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos e das oposições sindicais na cidade de Joinville e região.

Sempre incentivando e despertando a consciência dos trabalhadores, padre Fachini impulsionou o protagonismo de leigos e leigas, organizou vários cursos de formação e estimulou vários trabalhos e atividades pastorais na cidade de Joinville. Assim, todo o trabalho desenvolvido na Paróquia Cristo Ressuscitado envolveu outras paróquias de Joinville, especialmente a Paróquia do Boa Vista, onde, na época, o vigário era Monsenhor Boleslau.

 

“Se morrer de fome é a maior miséria humana, deixar alguém morrer
de fome é a maior miséria espiritual”, gostava de repetir o Padre Facchini
sempre que defendia o trabalho social e comunitário.

 

Em 1994, ano do seu jubileu sacerdotal, criou a Fundação Pauli-Madi – seguindo exemplo do casal suíço Paulo e Marta Fischer Zingg, padrinhos de ordenação de Facchini. Em agosto de 2009, houve a alteração da razão social e passou para Fundação Pe. Luiz Facchini – Pró Solidariedade e Vida, fazendo uma justa homenagem ao seu fundador, pois sua direção constatou que o sucesso da Fundação Pauli Madi se devia em grande parte ao carisma e dedicação de seu idealizador.

O trabalho da Fundação é voltado à defesa da vida de crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade, e tem como princípio os valores da gratuidade e da solidariedade. Com base nisso, teve como principal programa as Cozinhas Comunitárias. A ação foi iniciada em e 1998, após serem encontrados 19 focos de fome na cidade de Joinville, e durante muito tempo manteve 30 cozinhas comunitárias, atendendo a mais de 4 mil crianças diariamente, virando exemplo e referência para diversos municípios, Estados e para o País, que criou a Secretaria de Políticas Sociais de Combate à Fome.

Nos seus últimos anos de vida, padre Luiz Facchini dedicou todo o seu tempo para a Fundação, celebrando a Eucaristia e dando seu amor e carinho às crianças e vez e voz ao povo trabalhador. Em outubro do ano passado, a entidade comemorou 23 anos.

Atualmente, a Fundação atende a 220 pessoas em cada projeto por mês – Cozinhas Comunitárias e Cidadão do Futuro. Nas cozinhas comunitárias a criança recebe almoço diariamente. O Cidadão do Futuro oferece oficinas de esportes, música, artes manuais, cidadania e cultura digital.

Falecimento

Padre Luiz Facchini faleceu no início no dia 5 de março, aos 76 anos de idade. O corpo foi sepultado na Cripta da Catedral de Joinville..

 

(Por Josi Tromm Geisler / Jornalista)

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