Ano novo. E daí? 

Por Maria Cristina Dias*
Trabalhos para finalizar, confraternizações de fim de ano com direito a amigo oculto (secreto é coisa do Sul, na minha terra o amigo é oculto, mesmo), casa para enfeitar, presentes para comprar, comidas para preparar… em dezembro estava às voltas com estes afazeres dos quais a gente não consegue escapar nem querendo quando me dei conta de que um novo ano estava ali, batendo à porta. Resolvi, então, guardar isso no bolso e deixar para pensar em 2018 no momento certo: em 2018.
Bem, agora é a hora.  Ano Novo! Fogos, champanhe, roupas brancas, simpatias para que ele seja melhor do que o que passou.
Mas, e daí?
No dia 2 de janeiro, muitos voltam ao trabalho – eu, inclusive – com aquela sensação de que tudo vai começar novamente. Vem a esperança de que algo mude, mas lá no fundinho a gente sabe que não muda muita coisa. E eu estou sendo otimista.
Não que eu ache que nada mude, que tudo é assim mesmo, que a vida é como é… Não, realmente, eu não acho nada disso. Pelo contrário. Acredito que as coisas podem mudar, que podemos ter esperanças, que o dia seguinte sempre será melhor que este. Isto é uma premissa na minha vidinha.
O que eu não acredito é que as mudanças com as quais sonhamos vão ocorrer como em um passe de mágica, em função da chegada do ano novo, dos fogos, das resoluções. Ou do novo emprego, do amor que agora é para sempre, da chuva que cai ou do sol que brilha lá fora ou sobre as nossas cabeças.
Na verdade, não acredito que o que queremos ocorra de fora para dentro. Pode parecer batido dizer isso, mas as mudanças começam e se concretizam em nós. E a partir daí ganham uma forma real.
Não adianta esperar que o que vem de fora nos faça feliz. Bobagem. A felicidade está dentro de você – e se você não sabe por onde ela anda aí dentro, procure formas de descobrir. Caso contrário, você corre o risco de passar a vida inteira na ansiedade e na frustração da procura. E, no final, olhar amargurado para trás, com a sensação de que a vida escoou pelos dedos, à sua revelia.
Pegar com as mãos a responsabilidade por essas mudanças que são determinantes para alcançarmos o que queremos é fundamental para conseguir realmente concretizá-las.
Entre as muitas mensagens que pipocam nessa época do ano, vi uma que me chamou a atenção. Era um cartaz, com várias abas com mensagens picotadas para serem destacadas. No cartaz lia-se: “Retire o que você precisa” – ou algo semelhante. E embaixo as abas com o que todos nós precisamos, uns mais outro menos: paz, saúde, amor, felicidade… essas coisas que desejamos a todos nesse época do ano. Peguei uma, ainda que virtualmente, e carreguei comigo para o novo ano.
Minha proposta para esse início do ano é olhar com um pouco mais de calma para dentro e se questionar, sem medo da resposta. “O que me faz feliz?” “O que quero para este ano e o que preciso mudar aqui dentro para alcançar isso?” Tem coisas que acontecem independentemente da nossa vontade, é verdade. Mas a forma como encaramos o que nos acontece e lidamos com isso é determinante para a nossa sensação de bem-estar, de felicidade.
Então, neste novo ano quero te dar de presente um espelho. Não para ver o novo corte de cabelo ou a roupa que está vestindo. Mas para olhar para dentro de si, ver o que realmente você precisa e, com isso, poder definir o caminho que irá trilhar e as mudanças que precisa realizar para isso.

Feliz 2018!

*Jornalista

3 Comentários

  1. Adenise Costa Reis disse:

    Lindas e verdadeiras palavras. Parabéns Maria Cristã e obrigada por este presente.

  2. Adenise Costa Reis disse:

    Lindas e verdadeiras palavras. Parabéns Maria Cristina e obrigada por este presente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *