Economia compartilhada  

Por Luiz Kunde*

Projeções recentes da consultoria PwC indicam que a economia compartilhada mundial irá crescer 20 vezes entre 2014 e 2025, de US$15 bilhões para US$335 bilhões, o que representará 30% do PIB de serviços! O acesso à internet móvel a toda população vem sendo o fator mais importante dessas mudanças.

“No campo, o pior dos mundos é ter máquinas e só usá-las três meses por ano”, afirma Paulo Corigliano, idealizador da plataforma Agrishare, criada para intermediar o aluguel de equipamento agrícola e que já tem 800 máquinas cadastradas no Brasil.

A economia compartilhada também já chegou ao mercado da moda. A abordagem atual, de pegar-fazer-descartar, gera altos níveis de poluição e desperdício. Todos os anos são produzidas 24 bilhões de toneladas de algodão, e 24% de todos os inseticidas e 11% dos pesticidas são utilizados nessa produção.

A MUD Jeans foi criada visando a contribuir para a redução de tamanho desperdício: vende jeans online em 260 lojas de 27 países. A sacada é “alugar” uma calça jeans por 7,50 euros/mês (ao invés de pagar 97,00 euros pela compra) e devolvê-la quando quiser. A “propriedade” do produto cede espaço para o “usufruto” do bem ou serviço. A Airbnb nasceu de uma reflexão semelhante: se tenho um apartamento de três quartos mas só ocupo um, por que não disponibilizar os outros para alguém que tenha interesse em compartilhá-los? E a ideia do compartilhamento pegou.

Hoje compartilhamos games, carros, casas, máquinas, filmes… O que não imaginamos é o quanto essas iniciativas geram de riqueza para as comunidades. Estudo divulgado pela Fipe escancara a importância de um Airbnb: ele injetou R$ 2,5 bilhões na economia brasileira no ano passado!

Essa movimentação gerou 60 mil empregos, beneficiou 1 milhão de turistas e não chegou a fazer cócegas à rede hoteleira: representa ínfimos 2,1% do total de hospedes no País. Só os setores de comércio e alimentação faturaram R$1 bilhão! O mais curioso é a revelação de que esse turista gasta três vezes mais do que aquele que se hospeda em hotel. A razão: ele tende a “ficar mais tempo no destino e consome mais nos comércios dos bairros”.

Ninguém mais quer a posse, todos querem usufruir do bem e do serviço. Desmistificou-se, finalmente, a ideia de que os seres humanos querem “adquirir”. O que eles realmente querem é “ter acesso” às coisas.

 

Luiz Kunde é empresário em Joinville

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *