Moças bem-comportadas?

Por Rosi Costa*

 

É o título da exposição que está nos dois Galpões da Associação dos Artistas Plásticos de Joinville (Aaplaj), na Cidadela Cultural Antarctica.

A proposta permite um repensar da mulher inserida em uma sociedade patriarcal. Estou participando com duas obras: na sala 1 com um autorretrato e na sala 2 com uma performance.

Leitura de obra:

A parede é vermelha por essa cor ter ficado muito forte no meu trabalho; o vermelho é a cor do sangue que corre nas nossas veias, é pulsante, é vida. Tem como significado encarnado. Faço analogia com regras, padrões e normas encarnadas na consciência coletiva.

A janela: quando era adolescente sofri uma prisão domiciliar, via a vida através de uma janela e da televisão.

A bolsa é em meu trabalho o símbolo do interior da mulher, tudo o que ela carrega dentro de si, seus sonhos, sentimentos bons ou ruins… a menina, a adolescente, a jovem a mulher… A bolsa me representa na janela.

A cortina em movimento fala da passagem do tempo, do ontem e do hoje.

A máscara foi feita do meu rosto com atadura gessada. Eu estava em uma oficina de máscaras e do arquétipo da persona, e quando encarei essa máscara vi o rosto da minha avó materna. A última vez que a vi eu tinha sete anos e nunca esqueci seus olhos tristes, a sua solidão interior.

O rasgar a tela fala dessa agressão psicológica que as mulheres sofrem por não ter os mesmos direitos e liberdades dos homens, por serem castradas para se moldar a um estereótipo criado pela sociedade machista.

Durante a performance que realizei na abertura da exposição dialoguei com essa tela e realizei a ação de prender os cabelos, simbolismo de conformismo, resignação, aceitação forçada.

 

Na sequencia sentei em uma cadeira, com as pernas abertas e segurando uma bolsa vermelha em uma posição de pensamento. Eu fiquei um tempo olhando para mim mesma, me autoconhecendo, me fazendo perguntas, olhando para dentro de mim…

Quando finalizei a performance deixei a bolsa no meu lugar.

Minha base nas artes visuais é a pintura, e há um tempo tenho me expressado através de outras linguagens: desenho, recorte e colagem, intervenção artística e agora, performance. Penso que essas novas possibilidades de expressão ampliam e promovem um outro olhar para as questões da mulher em nossa sociedade.

 

*Artista visual, pedagoga e arte educadora

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