O que faz você feliz? 

Por Maria Cristina Dias*

Há algum tempo, uma rede de supermercados lançou uma propaganda com uma musiquinha meio chiclete, mas gostosa de ouvir, que questionava a todo instante: O que faz você feliz?

Eles não anunciavam um produto, mas levantavam uma possibilidade. Não importava se a banana estava com preço baixo ou se havia uma uma oferta especial de sabão em pó. Não. O que eles vendiam era a satisfação, um desejo realizado, o prazer final que aquela experiência de compra lhe traria.

Desde então, essa música não sai da minha cabeça – e isso já faz anos. De vez em quando me pego cantando. É quase uma forma de me trazer de volta para o que realmente é importante nessa vidinha.

Há mais tempo ainda, bem antes dessa propaganda, aprendi a dirigir em um fusquinha que devia ter quase a minha idade na época. Acho que logo na primeira aula prática, estava ao volante sentindo uma confusão de sentimentos que iam do medo à euforia, passando por uma inacreditável sensação de liberdade, quando o meu instrutor virou para mim e questionou: para onde você está olhando? E eu parei para prestar atenção no meu olhar. Eu olhava lá adiante, além dos carros que estavam na minha frente, embora pudesse vê-los bem também. Ele chamou a atenção para a necessidade de não grudar o olhar no carro da frente, mas perceber o que se passa lá adiante e no entorno. Foi a melhor aula de direção defensiva que poderia ter tido e talvez por isso nunca tenha batido o carro.

Mas o que essas duas histórias têm em comum? A necessidade de olhar ao longe e ampliar a visão de mundo para ter a consciência do que realmente é importante e do porquê você faz as coisas.
Não, eu não vivo e trabalho só para pagar as contas – embora pague as contas com o meu trabalho e precise muito dele para isso.
Eu tenho sempre em mente que vivo para realizar meus sonhos. Seja estar em paz, criar meu filho abrindo os horizontes dele, ter meu cantinho do meu jeito, viajar por aí, ler os livros que desejo, comer as comidas que gosto, olhar meus passarinhos ou me aninhar no abraço de quem eu amo. Ou simplesmente para me permitir ter o sonho que eu quiser e ainda está por vir.
Talvez por isso, trabalhe com prazer. Minha profissão me permite isso, também, é claro. Mas  mesmo quando a tarefa é massante ou desinteressante, encaro numa boa. Até porque tarefas chatas passam e logo desafios mais interessantes voltam a ocupar os dias.
A questão é o foco da vida. Ele não está no carro da frente, no produto que entrou em promoção ou no prazer imediato e fugaz. Ele está na caminhada, sim, mas de uma forma mais ampla. Está lá na frente, nos sonhos que quero realizar.
E você? O que faz você feliz? O que te move nessa vidinha?
*Jornalista

2 Comentários

  1. … atualmente pelo inverso do texto; de não olhar mais tão longe. Me identificar melhor com o que está por perto. Prestar atenção ao meu redor. Claro, estou mudando de fase. Quem sabe fiquei muito tempo numa fase. Rodei, repeti anos e agora, me senti liberto e de poder ir para longe, estou ficando perto. Minha realidade atualmente. Gostei do texto.

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