Por que dou preferência ao uso de cosméticos naturais

Por Ciléia Pontes*

Sem rodeios nem nariz de cera, a resposta é simples: porque quero evitar o surgimento de doenças e porque, no que depender da minha vontade, quero viver bastante. Sim, dou preferência aos cosméticos naturais e com baixa adição de químicos por esse motivo. E também porque prezo pela produção responsável, pelos cuidados com a natureza e por querer me sentir cada vez mais perto dela.

Há algum tempo, comecei a despertar para essa realidade: será mesmo que tantas substâncias desenvolvidas em laboratórios fazem bem para a saúde? E você já reparou que essas substâncias estão em todo lugar? Nos cosméticos, produtos de limpeza, produtos de higiene e, infelizmente, também nos alimentos que consumimos.

A “ficha caiu” com o documentário “The Human Experiment” (Crédito: Divulgação)

A ficha caiu de vez quando vi o documentário “The Human Experiment” (O Experimento Humano, em tradução livre), produzido e narrado por Sean Penn. Ele questiona a relação entre o aumento de casos de câncer e infertilidade com a alta exposição aos produtos químicos. Também questiona por que os efeitos em longo prazo dessas substâncias no nosso corpo não são estudados antes de elas serem comercializadas.

O documentário toma como exemplo o caso dos Estados Unidos, onde o lobby pesado ($$$) da indústria química impede a aprovação de leis que obrigariam os testes. E, assim, as pessoas não têm como saber os efeitos do que estão colocando dentro de seus corpos. O exemplo serve também para o Brasil, terceiro maior consumidor de cosméticos do mundo. Quem acha que isso é coisa de terrorista ambiental ou hipocondríacos, precisa

ar uma olhada na lista de substâncias encontradas em cosméticos e com possibilidade de causarem câncer.


Os cosméticos naturais que uso e onde encontrá-los em Joinville

 

A partir do momento em que soube que usar cosméticos e produtos de beleza convencionais é uma roleta russa e, em muitos casos, podem, sim, causar doenças como o temido câncer, reforcei uma ideia antiga de só usar, o máximo que puder, produtos naturais, com o mínimo de químicos possível. Aqui em Joinville eu tenho acesso a produtos bem bacanas. Alguns exemplos a seguir:

Cabelo: há mais de um ano parei de usar xampus com sulfatos e derivados de petróleo. Tentei fazer xampu natural de argila e bicarbonato de sódio, mas meu cabelo não se adaptou e eu não fiquei feliz com o resultado. Aí passei a usar marcas que utilizem ingredientes naturais e que não testam em animais.

Opções saudáveis para cabelos e pele (Crédito: Divulgação)

O que uso atualmente são xampus e condicionadores da Phytoervas, alternados com os sabonetes/xampus em barra da Madrecura, uma marca aqui de Joinville. Os produtos são feitos de forma artesanal pela aromaterapeuta e estudiosa em ginecologia natural Eloá Rosa. Recomendo bastante. Uma coisa que reparei quando passei a usar xampus com ingredientes naturais é que a caspa, que incomodava desde que me entendo por gente e me obrigava a usar xampus específicos para o combate, sumiu.

Pele: para lavar o rosto, também uso os sabonetes da Madrecura. O de argila vermelha é meu preferido. Mas também uso o de carvão e o de murumuru, este com um cheiro incrível. Esses sabonetes me ajudaram me livrar das marcas caras – e cheias de químicos nocivos – que os dermatologistas insistiam em indicar. Uso-os no corpo também.

Sabonete Madrecura é produzido em Joinville (Crédito: Divulgação)

Recentemente, comecei a usar os sabonetes que a irmã de uma amiga faz. Só que ela mora em SP e espero que venha morar por aqui também. Os recomendados para hidratação funcionam mesmo e me ajudam a pular a etapa do hidratante depois do banho. Aliás, ainda não consegui encontrar um hidratante natural que seja O.K. para o meu bolso. Não é que eles sejam um absurdo de caros. Eu reconheço o valor de um produto assim, mas é só a minha realidade que ainda não me permite. Ainda.

Dentes: uso o enxaguante natural – e vegano – da marca Boni. Tem para vender no supermercado Angeloni e o preço é igual ao dos enxaguantes comuns. Gosto bastante. Mas ainda uso o creme dental comum, pois o natural ainda é bem mais caro. Dá para fazer em casa, mas ainda não parei para testar alguma receita. Para diminuir riscos, alterno o uso com um natural da marca Cativa Natureza, que é ali de Curitiba.

Desodorante: também, há mais de um ano, parei de usar o comum. Passei a fazer em casa. Primeiro testei uma receita com bicarbonato de sódio, polvilho e óleo essencial e me deu alergia. Depois testei uma marca vegana e também tive alergia. Agora, o que tem dado certo é a mistura de leite de magnésia, um pouco de água e óleo essencial orgânico de melaleuca (ou tea tree, da marca Herbia, também aqui de Joinville).

A receita é da querida Sabrina Gaertner. Para mais ou menos 100 ml do leite de magnésia, coloco mais 30% de água e umas 15 gotas do óleo. Barato, natural e muito eficiente. Há quem use com sucesso, me disseram, apenas o leite de magnésia e mais nada.

No mais, no que se refere a maquiagens (uso pouco) e protetor solar, ainda estou em processo de transição. Parei de usar todos os dias e sem moderação. No verão passado, quando me expus bastante ao sol, usei uma marca natural trazida pelo cunhado do Chile. Para este verão, estou pesquisando marcas locais. Quando encontrar um queridinho – contarei tudo aqui.

Como perfume, costumo usar uma gotinha de óleo essencial de lavanda no pulso e só. Na verdade, percebi que não preciso de todos os cosméticos que costumava usar uns anos atrás. Sem falar que uma alimentação balanceada pode ser uma importante aliada da beleza.

Mais informações sobre cosméticos naturais

Para quem ficou interessado em conhecer mais sobre cosméticos naturais e os perigos dos químicos para a saúde, eu recomendo o canal Pensando ao Contrário, no Youtube, e este post da Cristal Muniz no blog dela, o Um Ano Sem Lixo. Aliás, a Cristal, que é de Florianópolis, costuma ensinar muitas receitas de cosméticos naturais e caseiros. Preciso deixar de preguiça e começar a fazer por aqui também. Taí uma boa meta para 2018. Vamos todos investir em cosméticos naturais?

 

 

*Jornalista / Majuí – Comunicação para a Sustentabilidade

2 Comentários

  1. Ricardo G Moreira disse:

    Concordo plenamente com a escolha, PARABÉS!!!

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