Por que não?

Por Maria Cristina Dias*
Estava lendo recentemente a biografia do desenhista Maurício de Souza, o criador da incrível Turma da Mônica, e uma expressão que ele repetia com frequência – e que pautou a sua trajetória – me chamou a atenção: “Por que não?”
Com essa pergunta em mente e a cara e a coragem, Maurício construiu sua carreira e se tornou um ícone dos quadrinhos no País.
Ele queria viver de desenho. Por que não? O que era sonho se transformou em objetivo e ele conseguiu.
Com 19 anos bateu na porta do jornal Folha da Manhã (o antecessor da Folha de São Paulo) e um jornal e se ofereceu para trabalhar no departamento de Arte. Por que não?
Não tinha experiência, mas tinha um sonho. Por que não? Levou uma ducha de água fria de um editor desgostoso com a profissão que disse para ele desistir de seu sonho, mas não se deixou abater (na hora, sim, claro, mas não de forma definitiva). Conseguiu emprego no jornal como revisor, foi repórter policial e tempos depois, já integrante da redação, é que voltou a se arriscar e mostrar seus desenhos. No final, conseguiu espaço para suas tirinhas.
Depois, quando por uma circunstância teve que buscar novos locais para publicar seus desenhos, pegou o portfólio e, novamente com a cara e a coragem, o colocou debaixo do braço, traçou um raio de 100 km de abrangência e foi bater na porta de jornais do interior que poderiam publicar as histórias, os desenhos. Ora, por que não?
Tenho uma amiga especializada em me dar uns empurrões quando eu empaco em alguma coisa e acho que não vou conseguir realizar o que me proponho (ou o que sonho, ou o que preciso). Nessas horas ela olha para mim e diz com aquela calma de quem fala o óbvio: “O ‘não’ você já tem”.
E é verdade. O ‘não’ nesse caso é a inexistência, o “não fazer”, “não concretizar”. É deixar como está. Essa possibilidade realmente a gente já tem quando inicia algum projeto. embora o medo e os “poréns” que vem junto com os planos sejam grandes e, muitas vezes, inibidores.
Lendo a biografia de Maurício e lembrando da minha amiga de sempre não pude deixar de pensar que muitas vezes é preciso, sim, olhar com firmeza para aquilo que parece impossível e se perguntar “por que não”?  Não que seja fácil. Com certeza, não é. Mas pode trazer um bom resultado – ou acabar de vez com uma expectativa irreal. Afinal, por que não?
*Jornalista

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