Você tem lembranças com…

Por Maria Cristina Dias*

Todos os dias o Facebook tira lá do fundo do baú (tá, não é tão fundo, a rede só tem uns sete anos, talvez um pouco mais) os posts que fizemos há alguns anos. Solícito que é, ele nos avisa que temos lembranças com fulano ou beltrano. Mostra as fotos e comentários dos amigos e resgata situações que algumas vezes já tínhamos até esquecido que existiram.

De um modo geral, é interessante rever o que postamos ou dissemos há um, dois anos. A foto do filho pequeno, a indignação com algum fato, as aventuras que vivemos e que couberam naquele pequeno espaço compartilhado. Tudo tão bonito, tão feliz… Afinal, quem coloca foto feia no face?  Quem fala de suas desgraças pessoais? Bem poucas pessoas, com certeza.

Porém, o mais interessante destas lembranças é ver como mudamos ao longo do tempo.

Sim, porque mudamos o tempo todo. E não estou me referindo só às mudanças físicas, aquelas que o espelho – esse objeto sincero e muitas vezes terrível – não nos deixa esquecer.

Refiro-me àquelas mudanças sutis no nosso jeito de viver e encarar o mundo que nem sempre percebemos no dia a dia, mas que o tempo denuncia.

Alguém já me disse – eu esqueci quem foi e o face não me relembrou – que depois de algum tempo não concordamos nem com nós mesmos.

Basta ver o que fazemos com nossos escritos. Muitas vezes passamos horas fazendo um texto, escolhemos as melhores palavras, quebramos a cabeça para chegar à forma que julgamos melhor. Mas quando temos a oportunidade de reler o que escrevemos, aquele texto tão redondinho é todo mexido novamente. O que parecia tão fundamental e imprescindível em um momento, visto com o distanciamento que só o tempo proporciona, parece tão pouco importante. Ou merece uma bela revisão na forma e nas ideias.

Reler e passar a limpo são ações tão imprescindíveis quanto difíceis. Porém, profundamente necessárias. E isso serve para os textos, os posts, os relacionamentos, a vida.

O bom – porque, sim, o lado bom sempre está lá – é que olhar para o que já fizemos, o que já sentimos, a forma como reagimos a algo ou os caminhos por onde andamos é uma forma fundamental de aprendizado e autoconhecimento.

Como diz uma querida amiga minha (que vai ler este texto e se reconhecer, tenho certeza), vamos cometer erros diferentes. Porque cometer os mesmos erros pela segunda vez, é burrice.

*Jornalista

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