EntreAsLetras – Novas esperanças

Por Donald Malschitzky*

Idealistas realizam mais, embora também sofram mais por não conseguirem fazer tudo que gostariam e, também, por sua condição de vidraça constante. O bom é que não desistem, apesar dos percalços que enfrentam, e, mesmo que algo não se realize no tempo desejado, lá na frente alguém se encarrega de fazer acontecer, mesmo sem saber da ideia original.

Na sexta-feira, 5 de abril, antes da aula inaugural da primeira turma de Protetores Ambientais em São João do Itaperiú, sob responsabilidade da 3ºsgt PM Joseane de Almeida Lara Raulino e do cabo Adrian Freiberger, lotados na 2ª Cia. de Polícia Militar Ambiental, de Joinville, conversando com o comandante e integrantes da companhia, contei o que eles não sabiam e eu só sei por ter tido a obrigação e o privilégio de pesquisar a respeito: a ideia dos Protetores Ambientais nasceu junto com os primeiros passos da então Polícia de Proteção Ambiental, da cabeça do então major e hoje coronel RR PMSC Valdir Baldessari, seu segundo comandante, de 1991 a 1994.

Com uma dedicação muito acima do mero cumprimento do dever, tem histórias e mais histórias no seio da corporação; uma pouco conhecida é a logomarca criada por ele: um menino com chapéu “Baden-Powell”, chamado de “Protetor Ambiental Mirim”.

Na época, ficou apenas na ideia, mas o tempo se encarregou de consertar as coisas: em setembro de 1999, após uma formatura dos Bombeiros Mirins em Ituporanga, o comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar, de Rio do Sul, propôs ao então soldado e hoje sargento Marco Antônio Sommer que criasse um projeto em que crianças e adolescentes “dessem vida ao quartel”. Assim, nasceu a “Guarda Ambiental Mirim”.

Batizados de “Protetores Ambientais”, com o lema “Ninguém preserva o que não conhece”, adolescentes dos 12 aos 14 anos de idade aprendem e vivem assuntos como ecologia, gestão de flora, gestão de fauna, história da Polícia Militar, gestão de resíduos, gestão de recursos hídricos, problemas com a caça e criação em cativeiro, poluição, lixo, agricultura, solo, pesca, legislação ambiental, disciplina etc, através  de palestras, viagens, acampamentos, caminhadas, limpeza de mananciais e atividades de cunho social e cultural. Assim, crescem com a consciência de que, mais do que usuários, são perpetuadores da vida.

Já passaram dos seis mil formados em mais de 80 municípios: o menino desenhado na primeira logo pode sorrir à vontade.

*Donald Malschitzky é escritor

(Foto: Divulgação PMSC)

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