EntreAsLetras – Seria apenas mais uma quinta-feira

Por Donald Malschitzky*

Mal passa das seis da manhã: um violão suave e uma voz de amigo me rodeiam: “Preciso não dormir até se consumar o tempo da gente”, canta Rainer Mafra, o amigo filho de amigos e que há anos embala alemães e vizinhos com sua arte.

É dia de Arrastão das Letras, quando um grupo de escritores vai a uma escola e, simultaneamente, fala com alunos em sala de aula, de forma que todos os estudantes conversem com algum escritor no mesmo dia.

Mal chego à Escola Municipal Nelson de Miranda Coutinho, no Jarivatuba, em Joinville, e sou invadido por uma sensação de boas-vindas: tudo é bonito, limpo e a recepção calorosa.

Uma fonte asperge bem-estar com seu barulho e cada mangueira de ar-condicionado está ligada a um recipiente em cuja tampa é encaixado um vaso de flores. A água é usada para limpeza e a umidade ajuda a manter as flores.

“Quem gosta de ler?”, começo na sala; um bom número de mãos se levantam e cada aluno conta de seus gostos. A atmosfera é de disciplina alegre e participativa e compartilho meu amor pelas palavras com a certeza de que se interessam, pois já estamos na hora do recreio, justamente na hora das perguntas deles.

Preparo-me para ser atropelado, mas eles ficam sentados, muitos com os braços levantados para fazer suas perguntas e mais alguns as fazem depois, “comendo” parte do recreio. Saio na esperança de tê-los encantado quase tanto quanto o fizeram comigo.

Na recepção com que nos brindam depois, entendendo melhor a disciplina dos alunos e a boa vontade dos professores e funcionários: nos fundos da biblioteca, uma pequena horta – que será transformada em horta com acessibilidade-, uma área coberta que será usada para leituras ao ar livre e um “hospital de plantas”, que é um laboratório de botânica construído com troncos.

A diretora Marta Aparecida Bonardi, toda entusiasmo, fala do prêmio que a escola ganhou em concurso da MRV Construtora: alunos do primeiro ano (!) criaram um projeto de como eles gostariam que fosse uma pequena cidade com foco na sustentabilidade.

Juntadas as ideias, o professor Celso, de Matemática, e alunos fizeram a planta e a maquete e, com o prêmio de 30 mil reais mais ajuda da Secretaria de Educação do município, vão fazer a cidade, com construções de 3mX6m, uma com energia solar, todas com captação de água da chuva e até uma miniestação de tratamento de esgoto.

É hora de sair, mas falta vontade, pois não é sempre que se vê tanto resultado da determinação de fazer bem-feito.

*Donald Malschitzky é escritor

(Fotos: Divulgação)

 

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