EntreasLetras – Um toque de sensibilidade

Por Donald Malschitzky*

Onde estavam as mulheres enquanto os homens construíam as fálicas pirâmides do Egito, que “por séculos nos contemplam”, conforme Napoleão Bonaparte? O que faziam enquanto os homens carregavam pedras e se exauriam ao sol por seu soldo de pão e cerveja?

Como agiam as mulheres durante as constantes batalhas dos espartanos, criados para a guerra e para o heroísmo até as últimas consequências. Teciam? Esperavam o que sobrava dos abutres, ou se consolavam com o destino dos filhos soldados, dos maridos soldados?

Quem pode explicar seu papel na expectativa da volta dos cruzados que lutavam pelo cristianismo e por nada?

E as mulheres dos soldados de Gengis Khan, de Aníbal, de Átila, de Dário, das legiões romanas? Onde estavam?

Qual a tarefa das mulheres judias enquanto os maridos pintavam as soleiras das portas com sangue de cordeiro para que o Anjo da Morte ali não entrasse e visitasse apenas os lares egípcios? E as mulheres egípcias faziam o que ao verem seus primogênitos levados por esse anjo?

Onde se protegiam as mulheres enquanto o sangue escorria e os homens se despedaçavam por ideais insanos? Enquanto irmão matava irmão?

Qual era o labor ou o lazer da mulher do piloto que soltou a bomba sobre Hiroshima?

O que faziam as mulheres?

Esperavam em casa, educavam os filhos, curavam as feridas, seguiam as tropas na vã esperança de ser alívio. Cuidavam do pouco que tinham, sacrificavam-se. Eram o bom senso, o equilíbrio, a sensibilidade, o contraponto à testosterona que sempre precisa ser provada. Eram a humildade da beleza, o carinho do curativo, o ombro-travesseiro, a palavra suave, a garantia da continuidade da vida, ventre, proteção, sopro, afago, agasalho.

Com justiça, lutaram para ser mais e provaram o que sempre já fora provado: que são mais capazes do que alguma vez os homens o foram, se é que o foram. E tomaram lugares de homens e fizeram muito melhor do que fora feito.

Algumas se enganaram e passaram a nos imitar no que temos de pior: a rudeza, a falta de sensibilidade, a necessidade de ser obedecido, a insegurança que nos leva à intransigência. E essas acham que a racionalidade é a melhor qualidade, quando é a intuição que move a humanidade.

Intuição, que é artigo raro nos homens e sobra nas mulheres. Ainda bem que são apenas algumas. As outras sabem de sua força e transformam o mundo, afinal, a Terra e a água são femininas.

*Donald Malschitzky é escritor

(Foto: Divulgação)

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