Fake News auditada

Por Braselino Assunção*

Modernizar-se é tônica constante na carreira de um auditor interno. Tendo a ética como bandeira, esses profissionais convivem com as ameaças latentes de complexas fraudes corporativas. São respeitados e contratados para gerar valor a empresas públicas e privadas, transmitindo visão holística da corporação a gestores, conselhos de administração e acionistas. Mas a dinâmica carreira não para de angariar desafios. Surgem no cenário as chamadas fake news – informações falsas, capazes de causar danos extremamente custosos nos mais diversos setores.

Seu poder de análise crítica é um dos predicados mais exigidos entre auditores, de priorizar um pensamento lógico, sempre baseado em fatos. Diagnósticos minuciosos entre números e argumentos são essenciais para embasar seus relatórios e nos trabalhos já realizados, não pode haver espaço para dúvidas. Pode sim, elaborar projeções de cenários e futuras consequências, desde que sejam baseados em riscos e meticulosamente contextualizados.

Culturalmente impressa em qualquer tipo de empresa, a famosa rádio-peão sempre foi vista como um desafio aos gestores, mas as notícias corriam apenas como fofocas, muitas vezes corrosivas, mas com disseminação contida, se comparado a era da internet. Hoje, o mundo digital é imediato. Uma notícia plantada nas redes sociais, em segundos, atinge o telefone de imenso grupo de uma corporação. Pânico, indução para decisões erradas, injustiças profissionais e atitudes irracionais e irresponsáveis podem surgir rapidamente, nascidos de uma fake news.

É comum receber essa notícia de fora para dentro, uma denúncia vinda de um blog ou até mesmo de um colaborador ou parceiro decidido a conturbar a governança da corporação. O auditor interno não tem a função de coibir fofocas cotidianas, nem agir com tom de censura. Mas cabe a ele avaliar se notícias de forte impacto necessitam ser checadas e validadas antes que o estrago seja grande e que a fake news vire uma realidade ilusória.

Ele é um guardião da ética e da boa governança. Precisa usar de habilidades de comunicação para propagar a cultura do discernimento e da racionalidade dentro de ambientes de trabalho. Não cabe a ele vasculhar diariamente se há informações falsas circulando, mas seu radar precisa estar sempre atento para atuar preventivamente, se preciso for.

O auditor interno entra nesse novo panorama como um agente capaz de espalhar bálsamo de tranquilidade em uma companhia. Uma fake news sobre a debilitada saúde financeira de uma empresa ou de um possível processo fraudulento em determinada negociação, é tóxica e somente ele poderá ser capaz de apresentar dados que agirão como um lenitivo, e trarão serenidade e luz à realidade positiva.

As fake news podem ser o estopim ou o combustível para incendiar e alastrar uma crise. Canais como Twitter e Facebook são facilitadores de exposição e monitorá-los é missão quase impossível, além de ser raramente recomendado. Mas a atenção é crucial. A velocidade da informação desafia qualquer patamar de bom senso, às vezes zomba da lógica e da coerência.

Contar com uma área de auditoria fortalecida já é enorme referência de segurança para os funcionários. Cabe aos auditores pedir aos gestores de cada departamento que transmitam a certeza de que naquela organização os padrões de governança corporativa funcionam, recebem constantes investimentos e que o verbo avaliar é exaltado a cada dia, como parte intrínseca do DNA daquela companhia.

*Braselino Assunção é diretor geral do Instituto dos Auditores Internos do  Brasil – IIA Brasil (Crédito: Divulgação)

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