Sim, temos que fazer o exame

Por Marcelo Sette*

Afinal: o que é a próstata? Será que realmente preciso fazer esse exame? Pelo menos uma dessas duas perguntas já passou pela cabeça da maioria dos homens com mais de 40 anos de idade. Vamos às respostas: a próstata é uma glândula que se localiza abaixo da bexiga e é atravessada pela uretra masculina. Sua função mais importante é produzir o esperma.

Para responder à segunda pergunta, lanço mão dos dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O câncer da próstata (CP) é o segundo câncer mais comum entre homens e cerca de 25% dos portadores morrem devido à doença. Quando esses pacientes apresentam sintomas relativos ao CP, já encontramos 95% deles com doença avançada e impossibilidade de cura. Mas, atenção: se a doença  é diagnosticada nos estágios iniciais, a cura pode chegar a 90% dos pacientes.

O risco de desenvolver o CP é maior nos homens acima de 45 anos, homens com familiares próximos com CP, negros,  obesos e com hábitos alimentares ruins (gordura animal, frituras, entre outras). Um médico pode suspeitar da doença através do toque retal e PSA (exame de sangue). O toque retal, exclusivamente, diagnostica 20% dos pacientes portadores de CP. O PSA alterado com toque suspeito aumenta para 80% a chance de diagnosticar a doença.

O tratamento varia conforme o estágio da doença e o tipo do câncer encontrado, podendo ser desde acompanhamento médico cuidadoso (vigilância ativa), passando pelo tratamento cirúrgico, radioterapia, bloqueio hormonal, quimioterapia e por último uso de radiofármacos.

A vigilância ativa é reservada aos pacientes com diagnóstico de câncer de próstata com doença pouco agressiva e que provavelmente não evoluirá de forma grave. A cirurgia está indicada nos pacientes com doença de diagnóstico precoce e visa à cura com a retirada total da próstata. Este método pode ser feito pela técnica tradicional (cirurgia de corte abaixo do umbigo), cirurgia laparoscópica (pequenas incisões no abdome) e cirurgia robótica (também utiliza pequenas incisões, porém com o auxílio do robô para realizar a cirurgia). Todos esses métodos possuem eficácias semelhantes.

A radioterapia pode ser utilizada também com o objetivo de cura e deve ser discutida com o seu urologista. O bloqueio hormonal, quimioterapia e uso de radiofármacos está indicado em pacientes com doença mais avançada com bons resultados e melhora da qualidade de vida do paciente, a longo prazo.

Como conclusão, respondo à pergunta feita no início: sim, temos que fazer o exame de próstata. Somente com o diagnóstico precoce, teremos a satisfação de diminuir o número de pessoas sofrendo desta doença.

 

Marcelo Sette é urologista, do corpo clínico do Hospital Dona Helena

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